Nego Fugido

Sinopse

Dois jovens artistas partem para conhecer um

antigo ritual que revive a fuga dos escravos, no interior do Brasil.

Lá, eles se envolvem com a celebração de uma forma inesperada!


Sinopsis

Two young artists leave the capital to see an old ritual that depicts

the runaway slaves, in the interior of Brazil.  There, they get involved

with the celebration in an unexpected way!


Projeto premiado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, em 2007.

Finalizado em 35mm, em maio de 2009.


Festivais

• V Seminário Internacional de Cinema da Bahia (MELHOR FILME)

• V Festival de Cinema de Maringá (MELHOR FIGURINO)

• II Janela Internacional de Cinema de Recife (MELHOR MONTAGEM)

Justificativa do júri: “Pelo corte que refrata a máscara e a experiência”

• XVI Vitória Cine Vídeo (MELHOR FILME, MELHOR DIREÇÃO E MELHOR ATOR “JUDEVALDO DOS SANTOS”)

  1. XIV CINE PE - Festival do Audiovisual (MELHOR FILME, PRÊMIO ABD PERNAMBUCO) Justificativa do júri: “Pela compreensão que o curta-metragem propicia ao experimentalismo”


• IV Mostra de Cinema de Ouro Preto - CINEOP (Mostra não-competitiva)

• IX Festival de Cinema de Taguatinga

• II Festival de Cinema de Marília

• V Mostra Conquista de Cinema (Mostra não-competitiva)

• XXXII Mostra Internacional de São Paulo

• XIII Curta Cinema - Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro

• Fest CineAmazônia 2009

• 4º Festival de Cinema de Muriaé - Percepções (Mostra não-competitiva)

• 13ª Festival de Cinema de Tiradentes

• 2º Festival do Júri Popular - 2010

3º Los Angeles Brazilian Film Festival

9ª Mostra do Filme Livre

III FASAI - Festival Americano de Cinema Ambiental de Iraquara (Mostra não-competitiva)

I Mostra de Cinema de Ipoema (Mostra não-competitiva)

Emerging Filmmakers Series (Nova York) (Mostra não-competitiva)

14º FAM2010

Festival de Cinema Guarnicê/2010

  1. 4ª edição da Mostra Curtas Cariri

  2. Indie 2010 (Mostra não-competitiva)

  3. 12o Festival Internacional de Curtas de BH

  4. II Semana dos Realizadores - Rio de Janeiro (Mostra não-competitiva)

  5. International Black Film Festival of Nashville

  6. 6º Fest Aruanda do audiovisual Brasileiro

  7. IV Festival Internacional de Cinema de Itu

  8. III Festival Internacional de Cinema - Luanda

  9. 5º CINE CAPÃO

  10. CACHAÇA CINEMA CLUBE Sessão "Eu Vim da Bahia"



ALGUNS TEXTOS PUBLICADOS SOBRE “NEGO FUGIDO”


A duplicidade do olhar

por Luiz Soares Júnior (http://www.revistacinetica.com.br/negofugido.htm)


O que mais me intriga em Nego Fugido é o corte, e acho que é por aí que o filme se delineia (delinear mesmo: constituir uma duração, mas uma duração dividida, repartida). Explico-me melhor: o corte é duplo, na medida em que ele nos representa a dimensão alegórica do personagem que chega numa vila do interior e se mimetiza, se mistura aos outros como se fosse um Outro. Daí o barroco das perambulações (da câmera e da montagem), as interações folclóricas. Esta estratégia rouchiana (até certo ponto) em que um Mesmo, ao mimetizar o Outro (os habitantes do lugar, credores de uma cultura alegórica estranha à cidade, de onde vêm os dois personagens, o rapaz e a moça) revelam que Mesmo e Outro são posições reversíveis, fenomenológica e temporalmente, e não papéis estáveis e opositivos. O filme arquetípico de Rouch que dinamiza esta estratégia é, claro, Les maîtres fous: oprimidos e opressores, faces de uma mesma moeda? Não. Faces de uma mesma cena, um único teatro: os negros encarnam os deuses do colonialismo, os deuses que eles queriam ser se tivessem a força – social e econômica – para tanto. Encenar é se abrir à alteridade da máscara.


Mas este é um primeiro “olhar” que o filme desvenda, e me pareceria menor (apesar do fascínio que me inspirou uma encenação francamente aberta, mas talvez aberta e narcisística demais, a todos os tipos de interpenetrações simbólicas e de imagens-fetiche, que adquirem um tônus quase icônico: os caboclos de lança, o menestrel). O outro olhar, que a montagem desvela, é o da moça, que filma o “palhaço” mimético: é um olhar distante, ou antes desconfiado, e imediatamente veio-me à cabeça o personagem de Inês Medeiros em Casa de Lava de Pedro Costa. Um outro filme que também trabalha com dualismos de papéis, posições e reversões de poder (poder entendido como a minha possibilidade de interpretar, de dar sentido ao outro,e  portanto compreendê-lo/amestrá-lo) e táticas de distanciamento/aproximação. Não apenas da Alteridade afirmada por uma identidade personificada – o Negro, o Leão, no filme de Costa -, mas do Outro telúrico, mítico, feminino: a terra cabo verdiana e seus avatares; danças, corpos erotizados, mar.

Dois olhares, claramente delimitados, que se julgam: o contraplano nos mostra uma moça que julga não apenas ao filmar - e filmar é um ato absoluto de julgamento, é o valorar inscrito em uma matéria a princípio definitiva, a película -, mas que se mantém sempre à esquiva e à espreita, enquanto o rapaz se entrega aos jogos e, nisto, se perde/permanece objeto para esta enviesada percepção (da moça) que não se identifica à terra, a ele, a nada. No máximo, se plasma ao olhar da câmera, mas isto é um gênero de pulsão – pulsão escópica, diria Daney – cujos desdobramentos eu não me autorizo a desenvolver aqui.

Janeiro de 2010


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Nego Fugido é um curta-metragem no mínimo desconcertante. O filme parece afrontar uma idéia de metalinguagem fácil, de pensamentos rasteiros acerca do registro – tão comuns no nosso tempo -, mirando uma subversão poética que traz o sentido da imagem para um local que, ao que parece, ainda nos é bem desconhecido. Está aí uma dificuldade enorme em analisar este filme: todas as possibilidades de resposta são falhas, inexatas, insuficientes. Este filme pede um olhar maduro. O registro em baixa resolução se confunde com o registro em alta, os atores que traduzem musicalmente uma representação cultural chegam, no confronto real, a demonstrar constrangimento. O cinema está na música tocada por eles, que toma o filme, se torna maior e declara uma postura diante daquelas imagens. As questões de falso ou verdadeiro, real ou ficcional, parecem ser um discurso superado dentro de Nego Fugido. O que existe ali são imagens conversando com imagens, reações se contradizendo, teatro sendo cinema, filme de terror, tudo com um cuidado e maturidade impressionantes.”


Gabriel Martins, Filmespolvo

http://www.filmespolvo.com.br/site/eventos/cobertura/699


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Obra mais instigante da dupla, Nego Fugido versa sobre o folguedo popular, que tem a ver com uma brincadeira de roda na qual alguém incorpora uma entidade estranha. O tal “nego fugido”, figura remanescente da época da escravatura, assombra e perturba os que o rodeiam, num jogo que alterna os papéis de caça e caçador.

Cláudio e Marília, sempre acompanhados de Nicolas Hallet, fotógrafo de todos os filmes do casal, foram até o distrito de Acupe, município de Santo Amaro da Purificação, e captaram a essência da brincadeira. Fizeram isto de maneira inovadora. Não há depoimentos ou nada que queira ser cinejornalismo. Aliás, verdade e mentira se equivalem nesta obra, que traz o legítimo da estupefação como matéria-prima.

Usando atores e a própria equipe como testemunha ocular, interagida e assustada com o jogo, Nego Fugido trata de representação, interpretação e, portanto, cinema. Da black face totalmente fake, que vira uma quase assustadora possessão, ao próprio registro de um membro da comunidade local entregando-se ao folguedo, tudo inspira uma instabilidade que contagia o espectador.”

João Carlos Sampaio, A Tarde, 10/12/09

http://www.cineinsite.com.br/materia/materia.php?id_materia=9960


“Já o curta "Nego Fugido", de Cláudio Marques e Marília Hughes, será mostrado na sexta(31), na mesma sala e horário. O filme é uma destas obras de difícil classificação, porque trafega entre os dois níveis da realização, o da ficção e o do documentário.

A trama parte da famosa manifestação popular do Nego Fugido para contar uma história desconcertante, de um jovem casal que viaja até Acupe, distrito de Santo Amaro da Purificação, e por lá experimenta de maneira mais que direta o festejo/mito em questão. Paula Carneiro e Leonardo França encarnam os forasteiros, misturando-se aos não-atores locais, como Judevaldo dos Santos e Edson Pinto dos Santos.

A obra é uma vivência que dialoga com o cinema etnológico do cineasta francês Jean Rouch. Busca aquele mesmo tipo de dramaturgia direta, calcada na interferência ficcional em meio a um registro que poderia ser apenas documental. Sua aparente despretensão é o grande mérito da obra, que lida com questões muito ricas sobre identidade e representação.

Em seus pouco mais de 15 minutos, encontra espaço para sugerir momentos de tensão e latente ironia. Desafia o público a tentar entender a complexidade na singeleza, ou simplesmente, deixar-se levar por uma aventura que transcende os dois protagonistas e se estende para toda a equipe de filmagem, que equivale ao elemento estrangeiro naquele ambiente, cujo olhar tanto é capaz de devorar quanto ser devorado.”

João Carlos Sampaio, A Tarde, 30/07/09

http://www.cineinsite.com.br/materia/materia.php?id_materia=9478



“Teatro da crueldade no sertão da Bahia. Dois turistas brancos pretendem filmar um ritual praticado pelos negros para exorcizar a escravidão e o racismo, e terminam implicados na ação. O cineasta branco vira "neguinha" e é achincalhado pelos locais, nas ruas da cidadezinha. Dramaturgia de choque ao gosto de Zé Celso Martinez. Como resultado, produz uma crítica feroz aos filmes-de-exportação, e contra a instrumentalização das minorias político-culturais para fins artísticos e comerciais.


Negro Fugido foi, com folga, o melhor dos dois primeiros dias da II Semana dos Realizadores. Cinema de agressão que ofende o bom tom da platéia classe-média branca, ao expor a cicatriz racial na sua premência e atualidade. Não à toa, deixe de colher os mesmos aplausos de filmes mais "existenciais".”


http://quadradodosloucos.blogspot.com/

direção | Cláudio Marques e Marília Hughes, fotografia | Nicolas Hallet, roteiro, montagem e produção executiva | Cláudio Marques assistente de roteiro e montagem | Marília Hughes elenco | Paula Beatriz Carneiro, Léo França, Judevaldo “Tico” dos Santos, som direto | Simone Dourado, direção de produção | Vanessa Salles, Produção Local | Monilson dos Santos

Brasil, 2009, 16 min

rua professor rômulo almeida, nº 8, acupe de brotas, 40320-290 – redacao@coisadecinema.com.br

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