IX Panorama vai acontecer em Salvador e Cachoeira

No ano em que fomos às ruas…

… insatisfeitos com essa democracia ilusória, o Panorama relembra aqui seus compromissos com a produção independente, exibições de boa qualidade em cinemas de rua e localizados em Centros Históricos. Compromisso com o cinema, com a cidade e com a nossa história.

O Panorama acontece simultaneamente em Salvador e Cachoeira. O nosso reconhecimento à Universidade Federal do Recôncavo (UFRB) e ao Cineclube Mário Gusmão, que acolhem, pela segunda vez consecutiva, o festival na cidade histórica de Cachoeira.

Ao longo dos oito dias de festival, o Panorama exibe uma produção praticamente inédita no estado. Nas Competitivas Nacional e Baiana, filmes potentes e com personalidade. Tem muito filme bom, aqui!

Importante para a Bahia e também para o Brasil, o Panorama firmou parceria com dois festivais que admiramos: Indielisboa (Portugal) e FICUNAM (México) vão anunciar, ao final do festival, dois filmes brasileiros selecionados para suas próximas edições.

Pela primeira vez, o Panorama realiza competição internacional de curtas-metragens. Filmes de diferentes países, com distintas abordagens e temas, que traçam um vigoroso painel da produção mundial.

Desde a nossa primeira edição, em 2002, sempre tratamos do cinema do presente, mas sem deixar de olhar com carinho especial para o que já foi realizado. Em 2013, o Panorama faz breve retrospectiva de três cineastas de vital importância para nós todos: Roberto Pires, Carlos Reichenbach e Alfred Hitchcock. Projeções de cópias restauradas à altura do cuidado com que esses cineastas confeccionaram os seus filmes.

Nessa edição, estamos trabalhando em parceria com diversas universidades e escolas públicas estaduais e municipais, pois sabemos que o mais grave de todos os entraves em nosso país está na educação, ou na falta dela. Os estudantes terão acesso gratuito às sessões do Panorama. Gratuitas também serão as oficinas do festival: uma oficina de crítica cinematográfica, uma oficina de direção, além do Laboratório de Roteiros, uma proposta pioneira no estado e que consideramos muito importante para o desenvolvimento do cinema na Bahia.

O Panorama foi contemplado em edital estadual para projetos calendarizados, ação inédita e que garante três edições seguidas do nosso festival. Pela primeira vez, começamos uma edição com a certeza de que a próxima acontecerá, algo revolucionário em termos de projetos culturais.

Mas, infelizmente, esse mesmo governo cortou as verbas da cultura, que já são pequenas, deixando centenas de artistas e produtores em situação delicada. Diversas ações culturais do próprio estado foram canceladas, projetos contemplados pelo Fundo de Cultura não receberam recursos e não existe, ainda, perspectiva para o caso.

Infelizmente, o mesmo governo que criou a Secretaria de Cultura (SECULT), demanda antiga de artistas e produtores culturais, a coloca em situação de extrema fragilidade. O estrago já está feito.

Precisamos, urgentemente, que o governo tenha uma política cultural e planejamento rigorosos. E respeito aos compromissos firmados, algo primordial.

Bom Panorama a todos!

Cláudio Marques e Marília Hughes

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In the year we took to the streets…

… dissatisfied with deceptive democracy, this Panorama emphasizes a commitment to independent production and high quality open-air screenings in historic town centres. It’s a commitment to cinema, to the city, and to our history.

The Panorama takes place simultaneously in Salvador and Cachoeira, and we’re grateful to the Federal University of the Recôncavo (UFRB) and Cineclube Mário Gusmão, our hosts in the historic city of Cachoeira for the second year running.

Over an eight-day festival, the Panorama includes screenings of many films never previously shown in Bahia, alongside a set of powerful and unique films in the National and Bahian competitive section. The Panorama is simply packed with great films!

A significant event for Bahia and for Brazil as a whole, the Panorama has established partnerships with two acclaimed international festivals: Indielisboa (Portugal) and FICUNAM (México), and each of these will select two Brazilian films shown during the Panorama to be screened at their next editions. The selected films will be announced at the end of the festival.

For the first time this year, the Panorama includes an international shorts competition. Films from around the world, with different approaches and themes: an impressive sample of international film production.

Since our first edition, back in 2002, we have always highlighted the cinema of the moment, but we also always take a special look at the past. In 2013, the Panorama includes a brief retrospective of three vitally significant directors: Roberto Pires, Carlos Reichenbach, and Alfred Hitchcock, with screenings of films with prints restored to the same degree of care taken by the directors themselves.

This edition of the Panorama also includes partnerships with several universities and state and municipal schools, acknowledging that education, or lack of it, is one of the most serious problems in Brazil. Students will have free entry to all screenings in the Panorama. And also free of charge are the workshops during the festival: a Film Criticism Workshop, a Directing Workshop, and a Screenwriting Lab – a groundbreaking project for the state of Bahia, and of considerable importance for the development of cinema in this region.

The Panorama was selected for a state funded grant for regular projects, a new initiative in Bahia, which means we have funding for three consecutive editions of the festival.  So, for the very first time, we are opening a festival with the certainty that there are more to come.  Something quite revolutionary in relation to cultural projects.

Unfortunately, however, this same state government has now cut much of the already low cultural funding in Bahia. This situation has left hundreds of artists and producers in a tricky situation. A number of cultural initiatives developed by the state government itself have been cancelled, and projects previously selected by the Cultural Fund have not received funds due, and as yet there seem to be no solution in sight.

Sadly,  the same state government that developed the Department of Culture (SECULT), a long-time aspiration for artists and cultural producers, has now placed the Department in a highly fragile situation. And the damage has already been done.

We urgently need the state government to adopt a cultural policy with directed planning. And it is fundamental that existing financial commitments are honoured as a basic premise.

Wishing you all a great Panorama!

Cláudio Marques and Marília Hughes